Por muitas vezes, você já deve ter se “esbarrado” com alguém falando sobre a relevância do ato da comunicação. O que significa exatamente isso? Em um primeiro instante, a palavra grifada sugere basicamente a divulgação ou a publicação de algo, isto é, tornar comum um tipo de conhecimento ou informação.
Estamos sempre nos comunicando. A prova disso é que desde pequenos, antes mesmo de aprendermos as primeiras palavras, comunicamos à nossa mãe, pelo choro, que sentimos fome. Nesse sentido, diversas linguagens, sejam elas verbais ou não verbais, podem ser utilizadas para formar o ato de comunicação: as cartas, as aulas, o semáforo, a linguagem corporal, placas, LIBRAS, etc.
Em todo o ato de comunicação, podemos ver o trio “linguagem, língua e discurso” interagindo de maneira muito dinâmica e complexa — fato que pode causar confusão em relação ao significado de cada uma dessas terminologias. Vamos esclarecer alguns pontos importantes:
A linguagem é um grupo sistemático de processos formados a partir das atividades psíquicas definidas pela vida social. Nesse sentido, é possível visualizá-la como a faculdade humana de manifestar estados mentais através de um sistema de sons emitidos pelas cordas vocais (CAMARA JÚNIOR, 2002). Desse modo, podemos entendê-la também como uma habilidade humana de expressar os sentimentos, os desejos e ideias.
A língua, por outro lado, vai corresponder ao sistema gramatical (as regrinhas) pertencente a cada grupo de pessoas. Sendo uma característica da linguagem e expressão de uma coletividade, ela não pode ser imutável; ao contrário, vive em constante transformação, acompanhando a sociedade que a desenvolveu. Assim, embora no Brasil todos falem o português, há diferentes usos dessa mesma língua em virtude dos fatores sociolinguísticos (regionais, sociais, contextuais, etc) definidos pelo pesquisador William Labov: no Sul do país, por exemplo, o uso da língua se distingue daquela falada no Sudeste; pessoas que não frequentaram a escola e não tiveram contato com as normas gramaticais falam diferente daquelas que tiveram acesso; a fala dos jovens é diferente da fala dos mais velhos.
A fala é uma execução individual da língua. Cada pessoa pertencente a uma comunidade faz sua utilização, selecionando dentro de seu repertório idiomático, de maneira oral ou escrita, formal ou informal, aquela combinação que melhor exprima a vontade e o pensamento. Essa seleção dentro de um conjunto de possibilidades é chamada de estilo.
Ainda que informativa, a separação dos conceitos acima deve ser entendida a partir do seu ponto de vista metodológico, pois mesmo que representem ideias diferentes e complexas, as distinções não são opostas em si — elas dialogam e se complementam para formar o âmago da comunicação humana (CUNHA, 2016).
CAMARA JÚNIOR, J. Mattoso. Dicionário de linguística e gramática: referente à língua portuguesa. In: Dicionário de linguística e gramática: referente à língua portuguesa. 2002.
CUNHA, Celso; CINTRA, Lindley. Nova gramática do português contemporâneo. LEXIKON Editora Digital ltda, 2016.
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